terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Sabrina, Júlia e Bianca: os famosos romances de banca que marcaram gerações de leitoras

Recentemente, as saudosas coleções Sabrina e Vagalume geraram inúmeras discussões no facebook do Livros e Opinião. Várias pessoas curtiram e opinaram favoravelmente sobre os livrinhos de bolso com histórias românticas melosas, estilo Nora Roberts e também sobre livros com capas revolucionárias, para a sua época, escritos por autores brasileiros. Por isso, hoje, resolvi escrever alguma coisa sobre essas duas séries literárias. Bem, inicialmente, vou reviver a época de Sabrina; quanto aos livros da Vagalume, já é outra história... um outro post... quem sabe, logo após este (rs).
Aqui na minha cidade tem um programa de flashbacks, onde o locutor, logo na abertura, coloca no ar uns barulhos estranhos simulando uma viagem no tempo. Logo em seguida, ele diz mais ou menos assim: “Agora convido todos os nossos ouvintes a tomarem os seus lugares em nossa máquina do tempo porque vamos iniciar a nossa viagem. Atenção técnica, acionando os controles dos painéis da nossa máquina porque vamos começar a viajar! Retrocedendo no tempo! Estamos indo para a saudosa época dos anos 70 e recordando o grande Rei do Rock, Elvis Presley...”
Hoje, eu vou emprestar a máquina do tempo desse locutor, para levá-los à uma viagem, também aos anos 70, mas não para assistir a um show de Elvis Presley no ano de sua morte, mas para visitarmos uma antiga banca de jornal, onde o jornaleiro está acabando de receber o primeiro número do romance Sabrina com o título “Passaporte para o Amor”, de Anne Mather. Quer o ano exato em que a nossa máquina nos levou? Ok; anote aí: 1977.
Isso mesmo galera! Vocês que embarcaram nessa viagem acabaram de presenciar um momento histórico: o nascimento de uma série de livros que iria mudar definitivamente os hábitos de milhares de leitoras, inclusive várias mães que por sua vez, viriam influenciar suas filhas a terem a mesma atitude.
Apesar de serem muito criticados através dos tempos, os ‘livrinhos’ das séries “Sabrina”, “Julia” e “Bianca” causaram uma verdadeira revolução no público leitor feminino dos anos 70 e comecinhos da década de 80.
Aliás, quero esclarecer que esse post não é específico da série “Sabrina”, mas também das ‘Julias’ e ‘Biancas’, todas elas importantes para a propagação dos romances de banca no Brasil. Tudo bem que “Sabrina”  foi a pioneira do gênero nos anos 70, mas as outras duas séries também tiveram uma importância fundamental.
O romance de banca teve origem, aqui na terrinha, em 1935 e esta fase inicial durou até 1960, quando a Companhia Editora Nacional já publicava coleções de livros para as ‘moças’ daquela época, as chamadas coleções Azul, Rosa e Verde. Desses selos, o mais popular foi a Coleção Verde, também chamado de Biblioteca das Moças que contava com 175 títulos.
O gênero teve o seu grande “boom”  nos anos 70 quando a Editora Nova Cultural de São Paulo colocou no mercado, quer dizer... nas bancas, as coleções “Sabrina”, “Julia” e “Bianca”. Agora, pasmem. As tiragens desses romances chegavam a atingir 600 mil exemplares por mês, fazendo a alegria não só das leitoras, como também dos jornaleiros.
Exemplar que deu origem á série Sabrina
Sabrina foi a grande pioneira. Foi esta série, a primeira à ser lançada em 1977, mais de uma década e meia após o encerramento das atividades da Companhia Editora Nacional com as suas coleções azul, rosa e verde.
Sabrina revitalizaria o romance de banca em nosso País, que já era considerado um gênero praticamente morto e enterrado. Os primeiros livros fizeram tanto sucesso que no ano seguinte, 1978, a Nova Cultural colocaria no mercado a série “Julia”; e em 1979, a série “Bianca”. Dessa maneira, os donos da Nova Cultural estavam praticamente copiando uma fórmula que havia dado certo em 1935 com a Editora Nacional, ou seja, lançar uma série de livros com três selos diferentes. Assim, “Sabrina” substituiria o selo verde; “Julia”, o rosa e “Bianca”, o azul.
As mulheres mais... digamos.... recatadas, eram fãs de “Bianca” que abordavam os relacionamentos amorosos dos casais de protagonistas de uma forma mais clássica, mais poética. Os relacionamentos calientes, do tipo ‘corpo a corpo colocado no meu com gritos, sussurros e gemidos antes do vamu vê’ não tinha espaço na série.
As moças mais moderninhas e impetuosas que gostavam de encarar desafios, além de serem mais liberais em seus relacionamentos amorosos atacavam de Júlia.
Quanto as meninas que adoravam devorar aquelas histórias repletas de conflitos familiares e amorosos, recheados de lágrimas de sangue e final feliz; semelhantes aos famosos dramalhões mexicanos, iam de “Sabrina”.
A Nova Cultural continuou distribuindo “Sabrina”, “Julia” e “Bianca” nas bancas até 2011. Depois disso passou a vender os livros da série apenas no site da editora.
Vamos agora com algumas características inconfundíveis dos enredos desses três selos:
01 – Casal de protagonistas sempre bonitos
O casal de protagonistas é sempre bonito. Com certeza, você nunca viu uma mulher ou um homem com uma beleza comum. Eles eram lindos!! A mulher loira de olhos azuis ou então morena com cabelos negros, compridos e volumosos. Ele, um verdadeiro príncipe.
02 – Autoras desconhecidos
A autora da tramas era o menos importava no esquema. Quer uma prova? Então lá vai. Será que você, que há anos, foi leitora assídua das “Sabrinas”, “Julias’ e “Biancas” se recorda de nomes como Anne Hampson, Sara Craven, Margery Hilton, Violet Winspear e também de... bem, melhor parar por aqui. Se você disser que conhece uma dessas escritoras; com certeza estará mentindo. Quando uma escritora era convidada a escrever um enredo para qualquer um dos três selos da Nova Cultural, ela tinha de seguir uma estrutura narrativa única e que pouco ou quase nada mudava. Uma verdadeira cartilha. Ah! Eram contratados apenas escritoras desconhecidas da grande massa de leitor. Muitas delas sem nenhuma bibliografia na Net.
03 – Simplicidade e finais felizes
Enredos simples e com finais felizes. Por acaso, você já leu alguma história de Sabrina, Júlia ou Bianca onde a “mocinha” ou o “mocinho” morre no final? Ou então onde eles acabem separados? Com certeza não conhece porque... simplesmente não existe! Quem é mau morre ou sofre no final... e quem é “bonzinho” se dá bem. Essa é a tônica!
04 – Exclusivo para as mulheres
As histórias eram direcionadas exclusivamente ao público feminino. Naquela época de ouro era muito difícil, praticamente impossível, ver qualquer marmanjo lendo “Sabrina”, “Julia” ou “Bianca”. Se bem que há muitos e muitos anos eu cheguei a ganhar de uma ouvinte um livro da série Sabrina com a seguinte dedicatória: “Como você gosta de ler, espero que aprecie...” Cara! Até hoje não sei se essa fã fez isso consciente, inconsciente ou se simplesmente estava afim de zuar (rsss).
05 – Cenas de amor exageradas
Quando os dois protagonistas desse tipo de romance se encontravam após tantas agruras ou então no meio da narrativa, quando as adversidades e intriga dos vilões davam “um tempo”, caramba!! Sobrava beijos, abraços, juras de amor, lágrimas e isso e mais aquilo. As autoras caprichavam! E se a série de livros fosse do selo Júlia... ai, ai, ai... então a coisa pegava. Eram amassos e mais amassos, além daqueles beijos ‘estupidamente calientes’. (rs)
Pessoal, para finalizar esse post, deixo no ar uma dúvida que não consegui esclarecer em minhas pesquisas e fuçadas nas redes sociais: “o motivo dessas séries de livros se chamarem Sabrina, Julia e Bianca”. O que teria levado a Nova Cultural a escolher esses três nomes femininos para batizar as séries. Se alguém souber, gostaria que postassem os comentários aqui.
Ah! Outra curiosidade mais ‘chegada’  para o lado da fofoca. Sabiam que muitas mães que eram fãs de carteirinha de “Sabrina”, “Julia” e “Bianca” chegaram ao ponto de batizar as suas filhas com esses nomes numa forma de homenagear a série?! Por isso, se você se chama Sabrina, não custa nada perguntar para a sua mãe a origem de seu nome.
Abraços e até daqui a pouco!

21 comentários:

  1. Esses livros também servem para serem usados em palestras (????).

    É sério. Olha só esse video aqui:

    http://gatosmucky.blogspot.com.br/2011/02/como-fazer-uma-palestra.html

    Abraço.

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  2. Eu lia esses livros quando adolescente e ainda tenho uns quatro exemplares na minha prateleira porque não consigo me desfazer deles! hahahaha
    Obrigada pelo post, me fez recordar de uma época boa!

    Abraços!

    http://estoriasdacarter.blogspot.com.br/

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Li muito. Tinha um que eu adorava (não lembro mais o título), sobre uma mulher que era design de vitrais, e eu aos 14 anos pensei ter descoberto minha profissão. (O século virou e o mais perto que cheguei de um vitral foi fotografando o do Mercadão de São Paulo).
    Ainda tenho alguns (rsrs). Bacana essa volta no tempo. Me deu uma saudade ;)

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Tinha uma amiga que lia e colecionava os Romances Bianca,Julia e Sabrina, ela me emprestou vários e eu lia,praticamente li quase toda a coleção dela!!! foi uma adolescência linda!!! Acho que adquiri o habito de leitura com estes romances,então a gente vai crescendo e ficando mais crítica!! mas, com certeza era muito legal lêr e viajar.. me sentia a própria mocinha de cada estoria que lia!!!

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    1. Com certeza vc pode dizer: "Bons tempos aqueles" (rs). Se as histórias de alguns romances de bancas, como Sabrina, Julia e outros fossem ruins, esse tipo de literatura não teria tantos adeptos, não acha? Com certeza, os romances de bancas incentivaram a leitura de muitos jovens de ontem... adultos de hje.
      Abcs e volte sempre!

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  7. Hahahaha, bons tempos aqueles srsrsrs, bom... nunca li, me achava "a nerd" e tinha ódio mortal de algumas amigas que liam e suspiravam e gostavam das partes calientes. Tinha uma colega que tinha uma parede cheia deles e eu pensava "nossa, quanto desperdício". Não que eu não lesse, sempre gostei mas gostava mais de aventuras do que romance. Mas como publicou-se muito, óbvio que tinha qualidade na escrita e sempre é bom incentivar a leitura. Respondendo sua pergunta no final, esse post aqui é bem legal e me esclareceu muita coisa kkkkkkkkk
    http://www.livrosefuxicos.com/2011/09/fuxico-de-mulherzinha-4-sabrina-julia.html

    bjs e seu post tb está muito bacana!

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  8. Minha mãe lia mt "Bianca" e "Sabrina", eu e minha irmã fomos batizadas com esses nomes.

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  9. Me orgulho de nunca ter lido umas bostas dessas!

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  10. Do mesmo modo que li Machado de Assis,Eça de Queiros, Dan Brown, Zibia Gaspareto, etc...li e curti.

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  11. Oi, José Antônio
    Tudo bem?
    Adorei seu post sobre Sabrina/Julia/Bianca.
    Eu e uma amiga escrevemos em um blog sobre livros eróticos, e estou escrevendo um posto justamente sobre as três coleções. Seu texto foi o mais complete que eu encontrei como fonte de informação. Gostaria de saber se posso usá-lo em meu texto, citando a origem dele, evidentemente.Seria de grande ajuda.
    Muito obrigada.
    Abraços

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    1. Olá Ana,
      Pode usá-lo sim, fique à vontade.
      Abraços!

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    2. Oi, José

      Olha como ficou:

      http://www.clubedolivroe.com.br/?p=483

      Se tiver um tempinho, dê uma olhada!!
      Obrigada pela ajuda!!
      Abraços

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    3. Oi Ana,
      Li e gostei do texto. Muito bom!
      Abraço!!

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  12. ola, por favor sera que alguma de vcs saberia que livro é esse:
    o mocinho parece q é Italiano,é bem antigo,e até aí nda né,pois então ele conhece a mocinha numa festa de uma amiga em comum,ele vive em Londres e tava d volta a Itália,fica deslumbrado pela mocinha q é morena d cabelos bem pretos e lindos olhos azuis,pergunta quem ela é para anfitriã,a dona da festa q é louca por ele desde criança diz pra ele esquecer prq a mocinha ta magoada com o cafajeste do ex marido e não quer um caso tão cedo,bem a mocinha na vdd achou ele lindo mais a tal amiga não tava mentindo não então ela ignora ele totalmente,passa uns dias ele ta num barzinho reunido com os amigos Italianos e ela entra que nem um furacão vai pro bar e pede uma bebida,ele claro a nota,bem é aí q as loucuras da autora começam rsrsrsrs,ele se aproxima,vê q ela já ta meio bêbada e conversando com o Barman,q qria muito ter um filho,a ouvir aquilo ele recua né rsrsrsr,mais ela chora e el e resolve voltar,bem parece q eles conversam e ela conta q tinha acabado d receber do maior especialista de lá os exames q dzem q ela jamais terá um BB,ele pega o resultado lê,é qndo conta q o ex marido cafajeste engravidou a amante e etc...e tal,bem eles dormem juntos,e ele se banqueteia a noite toda rsrsrsr,acabam tendo um caso,q sai em tdos os jornais,ele começa a se apaixonar,qndo ela vem com a bomba q ta grávida,e fica com cara d paisagem,ele fica tdo preocupado,vai com ela na médica contam a história,e as meninas não sabem dzr o prq q ela demora a fzr uma ultra,parece q toda vez q ia fzr o exame acontecia algo,eles se casam e com 3 meses d grávida ela parece ter 5,qndo finalmente consegue fzr a ultra descobre-se q ela espera quíntuplos rsrsrsrsrsr isso mesmoooo 5,e até chegar a esse numero a medica acreditava q ela estava esperando gêmeos o q já tinha sido um choque para os dois,e qndo sabem dos BBS,o mocinho desmaia rsrsrsrsr,dizem q a médica pergunta s e ela fez inseminação e qndo ela diz não,a médica diz estranho,eles acham q tem algo errado e a medica solta a bomba,a mocinha chora e o mocinho desmaia e derruba tdo rsrsrsrsrsr,como ela tem q ter cuidados e os BBS provavelmente vão nascer d 7 meses o mocinho super rico prepara tdo em casa pra ela não ter q ficar d repouso no hospital,contrata equipe d enfermeiras babas,compra até incubadoras para os BBS ficarem em casa...
    se souberem , podem enviar o nome ou link, qualquer coisa, no meu email?
    PATRICIAOSILVA37@HOTMAIL.COM

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  13. Lindo esse post, que pena que acabou encontro muito no cebo, mas estão tão rasurados, porém dar pra complementar afinal todas tem final felizes, mim diverto bastante lendo-os,e uma pena so uma de minhas 4 filhas gostam de ler o negócio delas e facebook , mas valeu a penar parar pra ler esse artigo bom trabalho.

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    1. Obrigado Kátia.
      Os romances de banca fizeram história e contribuíram para incentivar a leitura de toda uma geração.
      Abcs!!

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  14. olá Jam, sempre fui uma leitora compulsiva por esses romances, mas costumo dizer que era uma leitura marginal,rsrsr muitos da minha geração tinha preconceito com o estilo, mas lógico que eu lia tb livros de autores consagrados.Com relação a origem do nome, penso que talvez tenha a ver com o Filme que fez muito sucesso 1954, que chamava SABRINA cujo enredo se assemelha ou eu diria que é quase um clone aos vistos nesses romances.Obrigada por me deixar embarcar na sua máquina do tempo!!! adorei

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    1. Flávia, após escrever esse post, fiquei surpreso com o número de leitores que tinham o hábito de acompanhar os famosos romances de banca, especialmente as "Sabrinas' e "Julias". Leitura marginal ou não, tiveram uma importância muito grande na vida de muitas pessoas, pois vários leitores ávidos aprenderam a ler folheando essas histórias.
      Fico feliz que tenha gostado do post.
      Grde abraço!

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