domingo, 20 de março de 2011

10 grandes livros que geraram obras cinematográficas inesquecíveis

Não sei bem onde li, uma certa vez, que o número de obras literárias adaptadas para o cinema, se comparadas com aquelas que tem roteiros originais, atinge uma proporção do tipo 5 por 1. Isto significa que de cada cinco filmes apenas um não teve o seu enredo retirado das páginas do nosso bom e velho amigo livro.
Esta pesquisa me estimulou a selecionar – na minha humilde opinião – dez grandes livros que foram transformados em filmes marcantes. Fiquem a vontade para concordar, discordar ou então dar a sua lista de “livros/filmes”.
01 – O Poderoso Chefão
Quando um único livro com pouco mais de 430 páginas prova ter folêgo para gerar três grandes filmes, não preciso dizer mais nada. “O Poderoso Chefão” é um retrato do submundo do crime dos anos  40 com os seus códigos de honra e conduta. A história da Família Corleone se passa no final da 2ª Guerra Mundial quando a maioria das famílias de mafiosos decide entrar nos negócios do narcotráfico. Quando a família Corleone comandada por Don Vito decide não aderir a nova moda (na época) das drogas, bate de frente com a maioria dos clãs mafiosos. Pronto! Está declarada uma guerra que dura uma geração. Tanto livro quanto filme são fantásticos, apesar da obra de Mário Puzo ser bem mais rica em detalhes, descrevendo de maneira minuciosa e nem um pouco cansativa as cinco famílias mafiosas estabelecidas em Nova York nos anos 40. Mas a produção cinematográfica também não nega fogo, afinal, O Poderoso Chefão I e II foi vencedor do Oscar de melhor filme, sendo a unica continuação da história a receber um Oscar. É que preciso dizer mais alguma coisa? (rs)
02 – O Retorno do Rei (O Senhor dos Anéis)
A coleção de três livros da série O Senhor dos Anéis (A Sociedade do Anel, As Duas Torres e O Retorno do Rei) é fantástica e renderam filmes antológicos, mas “O Retorno do Rei” é uma obra prima. O melhor livro da série também gerou o melhor filme da trilogia. O Retorno do Rei é dividido em duas partes. Na primeira, Aragorn e Théoden usam toda a força e coragem para tentar evitar a invasão de Gondor que está ameaçada pelas forças do mal representadas por um exército de orcs. O Bem e o Mal se enfrentam numa batalha épica que faz o leitor devorar as páginas do livro. A segunda parte da obra de Tolkien está reservada para Frodo e seu fiel escudeiro Sam, além do traiçoeiro Gollum. Perto do final, as duas histórias se cruzam. Quanto ao filme O Retorno do Rei, posso defini-lo como um épico inesquecível recheado de heróis, monstros e seres fantásticos. Considero as cenas de lutas campais como as melhores que já vi em toda a minha vida nos filmes do gênero.
03 – E o Vento Levou
Há casos raros de escritores que escreveram apenas um livro em toda a sua vida, mas escreveram para toda a posteridade, já que a sua obra se tornou mundialmente famosa conquistando gerações e mais gerações de leitores. Margaret Mitchell (E o Vento Levou) e Emily Bronte (O Morro dos Ventos Uivantes) são duas escritoras que podem ser incluídas nessa categoria. E o Vento Levou provoca um verdadeiro reboliço nos sentimentos do leitor. Ódio, ciúmes, paixão, amor, vingança, enfim, uma miscelânea de sensações está presente nas mais de 900 páginas da obra de Mitchell que se assemelha a um diamante bruto com uma escrita dura e realista. A ambigüidade dos personagens faz com que o amemos por alguns momentos, mas após virarmos algumas páginas, passamos a odiá-los. Quanto ao filme vou poupar comenta-lo, acho que os 10 prêmios Oscar que ganhou em 1940 são capazes de explicar a qualidade do filme melhor do que qualquer texto. 
04 – Laranja Mecânica
Um livro bizarro em algumas partes, mas nem por isso deixa de ser fascinante. Além do mais,  rendeu uma obra prima para as telonas. Escrito por  Anthony Burgess em 1962, só veio a ser lançado no Brasil 40 anos depois. Conta a história de Alex, um adolescente barra pesada e que apronta coisas inimagináveis. O garoto e a sua gangue são violentos ao extremo. Eles espancam, roubam, estupram e matam por puro prazer e passa-tempo, até o dia em que Alex é preso e usado numa experiência chamada "Método Ludovico", criada pelo Estado e destinada a refrear os impulsos destrutivos dos delinquentes. Quando volta às ruas regenerado, passa a sofrer com aqueles que antes eram as vítimas. Após ser usado num jogo político pelo partido de esquerda, o Estado reverte o seu "tratamento". O filme é bem fiel ao livro, e não caia no erro de acreditar que esteja desatualizado, porque mesmo após quatro décadas, a produção cinematográfica de Stanley Kubrick ainda choca aqueles que a assistem.
05 – O Morro dos Ventos Uivantes
Obra única de Emily Bronté e que arrebatou as emoções de milhares de leitores. Talez, Heathcliff e Cathy formem o casal mais emblemático da literatura mundial. Em alguns momentos se amam e em outros, se odeiam, uma relação tumultuada de amor e ódio, que lembra vagamente outro casal conhecido, mas da literatura adolescente:  Patch e Nora Grey, de Sussurro (ver comentário neste blog – As Decepções Wake e Sussurro). Mas quero ressaltar que ao contrário dos chatos Patch e Nora Grey, o casal Heathcliff e Cathy não cansa o leitor, já que o fio narrativo de Emily Bronte deu vida e principalmente “passado” aos personagens. Sabemos que o irmão de Cathy fez Heathcliff sofrer muito, há anos atrás, quando ambos eram jovens e que Cathy se casou com outro homem, renegando o amor visceral que Heathcliff tinha por ela. Mas será que isso, justifica as atitudes vingativas – algumas vezes horriveis – de Heathcliff? Algumas vezes o leitor torce por ele, em outras o queria ver morto. Dos quatro filme feitos para o cinema, sem dúvida o melhor é de 1939 com Laurence Olivier e Merle Oberon, como Heathcliff e Cathy, mas a produção de 1992 com Ralph Fiennes e Juliette Binoche não pode ser menosprezada por dar ênfase  a segunda geração de personagens da história.
06- Harry Potter  (O Prisioneiro de Azkaban)
Li toda a saga Harry Potter e confesso que achei Relíquias da Morte o melhor dos sete livros, superando até mesmo o Prisioneiro de Azkaban. Voce deve estar se perguntando: “Ué? Então porque o cara indicou O Prisioneiro de Azkaban ao invés de As Relíquias?” Fiz isso porque As Relíquias da Morte não se tornou um filme a altura de suas páginas. A primeira parte ficou muito aquém do que se esperava. Vamos aguardar agora a Parte 2, que dizem por aí, é bem melhor. Por sua vez, a história de O Prisioneiro de Azkaban, conseguiu ser transposta para o cinema com maestria, resultando no melhor filme de toda a série até agora. Como o tema proposto desse post são grandes livros que geraram obras cinematográficas inesquecíveis, eu não teria como selecionar “As Reliquias da Morte”, já que livro e filme não fizeram o casamento perfeito, ao contrário de ‘Azkaban’ que pode ser considerado uma dos melhores roteiros cinematográficos adaptados de todos os tempos. O diretor Alfredo Cuaron fez melhor do que Chris Columbus que havia acabado de deixar a direção da série. Cuaron fez um filme sombrio, tenso, mas ao mesmo tempo divertido.
07 – À Espera de Um Milagre
Realmente este filme é um verdadeiro milagre, pois conseguiu se tornar sucesso de crítica e público, quebrando a velha rotina: “livros ótimos, filmes horríveis”, que sempre marcou a vida do famoso escritor Stephen King. É incrível como a maioria dos diretores e roteiristas que decidiram levar para as telona obras de Stephen King acabaram implodindo as mesmas, transformando o contetxto do livro numa verdadeira bagaceira, digna de um filmizinho de terror classe Z. Por isso, sem querer ser redundante, “À Espera de Um Milagre” foi um milagre pois reverteu essa situação. O sucesso estrondoso do filme provou que os livros de King, quando adaptados e dirigidos por profissionais competentes, podem se tornar sucessos garantidos de crítica e público. Pena que muito poucos tiveram essa sorte, o que faz crer que as obras do mestre do terror são para ser lidas e não assistidas. “À Espera de Um Milagre” é uma dessas raríssimas exceções. O grandalhão Michael Clarke Duncan dá um verdadeiro show vivendo um prisioneiro negro acusado injustamente de estuprar e matar duas jovens meninas. Tom Hanks, como o guarda da prisão onde se encontra o personagem de Duncan, mesmo tendo uma atuação discreta, convence. Durante o filme, uma grande amizade surgirá entre os dois. Vale à pena ler e assistir.
08 – Jurassic Park
Para mim, o melhor livro de Michael Crichton, onde ele dosa de forma notável tecnologica e aventura que são os dois ingredientes principais de todos os seus livros. Em Jurassic Park  (O Parque dos Dinossauros) o homem paga caro por tentar ganhar dinheiro fácil usando uma tecnologia que não domina totalmente. Uma verdadeira lição de vida para os nossos tempos. Apesar do filme ser bem diferente do livro não podemos negar as suas virtudes, à começar pela direção de Spielberg que mesmo modificando grande parte da história conseguiu transformar O Parque dos Dinossauros numa das produções cinematográficas mais rentáveis da história do cinema. Ele cria momentos de tensão no telespectador como o encontro do braquiossauro com o personagem de Sam Neil e o ataque do Tiranossauro Rex no momento em que dois carros de visitantes quebram durante o passeio inaugural no parque. Os efeitos especiais e os dinossauros que aparecem no filme são outro show à parte. Vou ressaltar algumas diferenças entre livro e filme. Na Obra de Crichton, os tiranossauros são dois, no filme de Spielberg apenas um; os velociraptores só conseguem ser mortos com tiros de bazuca e são eles que colocam o parque novamente nos eixos e por aí vai. Mas apesar dessas diferenças, tanto livro quanto filme fantásticos. Uma curiosidade: O filme O Parque dos Dinossauros foi produzido em 1993, ou seja, somente três anos após o lançamento do livro de Crichton.
09 – O Silêncio dos Inocentes
O psicopata canibal, Hannibal Lecter, rendeu história para quatro livros, um excelente, outro ótimo e dois terríveis. “O Silêncio dos Inocentes” se enquadra na mesma situação do “Prisioneiro de Azkaban”, da série Harry Potter (ver comentário neste post), ou seja, o melhor livro dos quatro sobre Lecter é Dragão Vermelho (Red Dragon), mas o filme baseado nesta obra é medonho de ruim. Por isso não poderia inclui-los nesta lista. Por outro lado, “O Silêncio dos Inocentes”, mesmo sendo inferior a Red Dragon – e quando digo inferior não estou menosprezando a obra porque ela é muito boa – deu origem a um filme maravilhoso. Sendo assim, é o meu escolhido para entrar nesta listagem. A produção dirigida por Jonathan Demme mantem o mesmo clima tenso do livro de Thomas Harris. Enquanto nos livros posteriores: Hannibal e Hannibal – A Origem do Mal, Lecter não assusta nem criancinhas, em “Red Dragon” e “O Silêncio dos Inocentes” ele provoca calafrios. Se em “Red Dragon” ele é perverso ao extremo; em “O Silencio dos Inocentes”, ele tem um auto-controle e perspicácia incríveis que aliadas a sua inteligência o transformam num dos maiores vilões do cinema. Um detalhe que ajuda a exacerbar o medo em quem lê ou assiste “O Silêncio dos Inocentes”, é que Lecter mesmo preso num pavilhão isolado de uma cadeia, é capaz de matar, como fez com um outro detento que se encontrava numa cela ao lado da sua. Detalhe: ele não usou as mãos , mas a boca, já que as suas palavras acabaram enlouquecendo a vítima que se matou. Viu só? Já deu pra ter uma idéia do psicopata com o qual a agente do FBI, Clarice Sterling terá se aliar para conseguir prender um serial killer que esfola suas vítimas vivas. O filme é uma guerra de interpretação (no bom sentido) entre Anthony Hopkins (Lecter) e Jodie Foster (Sterling), mas no final, Hannibal Lecter acaba vencendo essa disputa, tanto que levou o Oscar de Melhor Ator pela sua interpretação em 1991.
10 - Blade Runner – O Caçador de Andróides
Fecho esta lista com o livro de Philip K. Dick, para mim, como o mestre da ficção cientifica moderna. O livro é ambientado em 2021 numa terra devastada e em ruinas, onde um ex-policial que acabou se tornando caçador de recompensas recebe a perigosa missão de recapturar um grupo de andróides parecidos com os humanos que perderam o controle. Os replicantes tem características físicas semelhantes à nossa, mas são bem mais fortes e resistentes. Eles são utilizados para fazer serviços pesados numa base espacial, já que a terra está colonizando outros planetas. Para o leitor amante da ficção científica, essa obra de Philip K. Dick é obrigatória. Quanto ao filme, na época de seu lançamento, em 1982, não foi bem recebido pela crítica e público, mas algum tempo depois se tornou cult. Considero “O Caçador de Andróides” o divisor de água dos filmes de ficção cientifica. Simplesmente fantástico.

5 comentários:

  1. Nossa não sabia que a proporção era tão grande assim, 5 pra 1!!!!! Boa lista!!!

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  2. Alguns são clássicos inesquecíveis.

    Abraços!

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  3. Literatura é literatura. As outras grandes artes se inspiram muito nela, por isso é minha preferida. :)

    Bjo
    Francine

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  4. Minhas opiniões referentes às adaptações de livro-para-filme de "O Retorno do Rei" e "Jurassic Park" são praticamente as mesmas: livros maravilhosos que renderam filmes fenomenais, mesmo contado com algumas diferenças notáveis do livro para o filme.

    A única coisa da qual discordei foi em relação ao livro e filme da série Harry Potter, mas isso é apenas por pura opinião pessoal. Particularmente, acho que o melhor filme inspirado nos livros foi o 2º ("A Câmara Secreta"), por adequar-se à mesma atmosfera que senti quando li o livro, o que não ocorreu com a adaptação seguinte, do 3º livro/filme. Inclusive, o 3º filme foi o que menos gostei, de toda a série, ao contrário do livro, que considero como um dos melhores.

    No mais, excelente post!

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